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    November 22

    Papai Noel 2009.....

    Fui toda crente que minha filha iria tirar a foto com a gente...mas não teve como!!!! Então tiramos só! Fala sério, todo ano eu tiro a foto com ele.....o bom velhinho! ADORO!!!!!! Fazer o que né? Tudo agora é mico, é feio, é chato e,... um monte de palavrões.......ahhhhhhhhhhhhh, ninguém merece a adolescência dos filhos e principalmente se ela é menina...aí vem junto a TPM !!!! Nãooooooooooooooooo...............



    October 21

    Disparado o melhor filme de Tarantino !!!!! AMEI ... Imperdível !

     
     
     

    Internet e sanidade - Ivan Lessa

    Internet e sanidade

    Ivan Lessa

    Colunista da BBC Brasil

    Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

    Eu sou muito mais moço do que pensam aqueles que me veem bengalando meu caminho pelas ruas de LondresNinguém me dariamais que 47 anos. Vá lá que seja: 57 anos. Isso porque só podem assistir a ruína a que meu pobre corpo ficou reduzido, conforme diz a velha canção do bom Ary Barroso. Não podem ver o decatlo moderno disputado com vistas a medalha ao menos de bronze pela minha vida interior.

    Mentalmente, tenho meus sacudidos 30 e poucos anos. Meu cérebro bate bola em praia ou terreno baldio. Minhas faculdades mentais dão a volta ao quarteirão com o português do armazém correndo atrás, e não me pegando, depois de eu roubar a coxinha de galinha e a empada de palmito.

    Não pratico esportes. Não faço ioga. Alongamento ou Pilates. Meu segredo, minha receita para uma vida saudável, para chegar com alguma dignidade e boa disposição física ao crepúsculo final que nos espera a todos é muito simples e nada tem a ver com regimes e essa enganação de alimentos “orgânicos”. Não. Sento. E sento e sento e sento.

    Não só diante da televisão e os DVDs alugados, que isso é recreio, hora da engorda mental, confeitos que só engordam o já castigado cérebro. Sento diante da mesa em que se alojam, como precioso relicário, o computador, com todos seus adereços habituais: teclado, camundongo, USB para isso e aquilo outro, dongles e, vez por outra, suas inevitáveis chateações.

    O conjunto, comigo a manobrá-lo, confortavelmente sentadão, é o que me mantém, e ainda manterá, por muito tempo, com a mente sã e distante de qualquer “andador”, por mais moderno e estético que seja.

    Amigos – mais: irmãos – de cabelos cor de prata, eis o segredo que a ciência acaba de endossar: googleie para viversem demência ou sentir nas costas o toque gelado dos dedinhos finos de Alzheimer. O vovô e a vovó podem reverter o processo da senilidade ao simples digitar cibernético.

    Eu acabei de dar uma chegada ao Google para ver se encontrava um substantivo em português neo-reformado para a palavra “dongle”. Neris de petibiriba, conforme dizemos nós, os com mais de 35 anos de idade. No entanto, a simples busca adiou, nem que seja por um átimo (confiram no Houaiss virtual), o processo degradante do envelhecimento.

    Lá está, no jornal: Gary Small, professor de neurociência e comportamento humano da Universidade da Califórnia, Los Angeles (a mais que prestigiosa UCLA) declarou que “os cidadãos mais velhos, mesmo com um mínimo de experiência, terão alteradas de forma positiva suas atividades mentais e seu devido comportamento”.

    O grande Small e sua equipe trabalharam durante algum tempo com 24 idosos entre as idades de 55 e 78 anos, submetendo-os a toda sorte de testes, modernos e tradicionais. Metade dessa gente boa e de bela idade era chegada à net. Precisamente a metade mais cheia de vida, mais sagaz. Tudo foi segundo o mais avançado método científico à disposição da UCLA. Não deu outra coisa: mexeu com o teclado do computador, digitou, buscou, achou, não achou, dá na mesma: a atividade cerebral do internauta foi estimulada com oxigênio extra e uma boa dose de nutrientes, ou nutritivos. No que o sangue benévolo saiu jorrando inteligência pelas partes mais recônditas do cérebro dos… quase que digo anciãos. Cérebro dos sempre jovens e atentos cibernautas.

    “Digitai para viver” passou a ser o meu lema. Viver mais e melhor, com mais inteligência e sensibilidade. Googlai, irmãos, googlai!


    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091021_ivanlessa_tp.shtml

    September 28

    Meu filhote e Fabinha!!!

     
     

     
    June 27

    +

     

     

    Capa do Jornal Extra...


    Eu com a Gláucia
                                                                
       

    June 16

    Inveja....Que merda heim!!!

     
     
    Quem veio ao mundo para não incomodar, não devia ter vindo ao mundo...
    "Alfredo de Freitas Dias Gomes"
    Por isso eu estou aqui...
    Vanessa...
    June 08

    Ninguém aguenta uma pessoa delirante dentro de casa - Revista Época!!!

     
    “Ninguém aguenta uma pessoa
    delirante dentro de casa”
    Um dos maiores críticos da falta de vagas para internação psiquiátrica, o poeta Ferreira Gullar conta a ÉPOCA a experiência de ter convivido com dois filhos esquizofrênicos - o que ainda está vivo mora hoje num sítio em Pernambuco.
    Cristiane Segatto
     
     Daryan Dornelles
    SEM OPÇÕES
    Ferreira Gullar diz que as famílias sem recursos não têm onde pôr filhos com doenças mentais

    O poeta Ferreira Gullar, 78 anos, teve dois filhos com esquizofrenia. Paulo, 50 anos, vive num sítio em Pernambuco há cinco. Marcos, que tinha um quadro mais leve da doença, morreu em 1992, de cirrose hepática. Recentemente, Gullar escreveu três artigos no jornal Folha de S. Paulo sobre a falta de vagas para internação psiquiátrica. A reação dos leitores chamou atenção para uma das maiores controvérsias da psiquiatria: o que fazer com doentes mentais em estado grave? Gullar concedeu a seguinte entrevista a ÉPOCA em seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro (confira ao final desta página um vídeo com trechos da conversa).

    ÉPOCA - A lei federal 10.216, aprovada em 2001, não proíbe a internação de pacientes em hospitais psiquiátricos, mas estimulou a redução de leitos. Por que decidiu falar sobre essa lei agora?
    Ferreira Gullar -
     Antes da aprovação da lei, soube do que consistia o primeiro projeto. Para internar uma pessoa, a família precisaria pedir autorização de um juiz. Felizmente isso foi retirado do texto final. Imagine o que é ter em casa um garoto em estado delirante - às vezes falando sem parar da noite até o dia seguinte. Os pais tentam dar remédio, tentam conversar e nada funciona. Nessa situação, o único recurso é internar. Você sente que a pessoa está saindo do controle e pode fazer uma loucura qualquer. Imagine ter de aguardar autorização de um juiz para internar um paciente numa situação de emergência. Que juiz? Aquele que nunca encontramos na justiça eficiente que temos? Imagine o desastre que isso seria.

    ÉPOCA - Mas por que decidiu escrever neste momento?
    Gullar -
     Li notícias recentes sobre o aumento de doentes mentais na população de rua. Eu já previa que isso ia acontecer diante da restrição do número de hospitais e do período de internação. Como é possível estabelecer um período de internação, determinar que um paciente psiquiátrico esteja curado dentro de determinado tempo? Quem não tem dinheiro para colocar o filho numa clínica particular fica com ele em casa até quando suportar. Muitas vezes o doente foge. Quantas vezes isso aconteceu comigo... Ele foge, vai para rua sem rumo. Ninguém sabe para onde vai.

    ÉPOCA - O doente precisa ficar vigiado dentro de casa?
    Gullar -
     Ninguém aguenta uma pessoa em estado de delírio dentro de casa. Só se ninguém trabalhar, todo mundo ficar em volta do doente. E se for uma pessoa agressiva? Tem que internar. Nenhum pai e nenhuma mãe internam seus filhos contentes da vida, achando que se livraram. Não estou dizendo que a lei foi feita para perseguir as pessoas. Não vou imaginar uma coisa dessas. Ela foi feita com boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio.

    ÉPOCA - O senhor acha que a internação em hospitais psiquiátricos é o melhor tratamento?
    Gullar -
     Ninguém é a favor de manicômio ou de encerrar uma pessoa pelo resto da vida. Isso não existe há muito tempo. Mas hoje as famílias sem recursos não têm onde pôr seus filhos. Eles vão para a rua. São mendigos loucos, mendigos delirantes. Podem agredir alguém. É imprevisível o que pode acontecer. O Ministério da Saúde tem de olhar isso. O hospital-dia é uma boa coisa. Mas para o doente ir para o hospital-dia ele tem que querer ir. Quando entra em surto, é evidente que não vai querer ir para o hospital-dia. Dizer que os doentes serão encarcerados é terrorismo.

    ÉPOCA - Qual a sua opinião sobre a visão do movimento de luta antimanicomial?
    Gullar -
     Esse pessoal não diz explicitamente, mas eu sei que para eles não existe doença mental. Por que falam em psiquiatria democrática? Existe urologia democrática? A psiquiatria democrática pressupõe que as pessoas internam seus parentes para cercear a liberdade deles. Segundo essa linha, o cara não é doido. Ele é um dissidente. Isso vem da época das drogas, da época dos Beatles, da época em que as pessoas diziam “tu tá pinel”. O que era isso? A classe média cheirava cocaína e ia parar no Pinel. Não eram doidos. Mas, levada a uma overdose, a pessoa pode entrar num estado de delírio. Esse pessoal acha que a máfia de branco cerceia a liberdade das pessoas. Pessoas que são dissidentes da sociedade burguesa. A psiquiatria democrática considera que a sociedade é que é doente e reprime aqueles que discordam dela.

    ÉPOCA - Por que o sr. diz que isso é um marxismo equivocado?
    Gullar -
     A raiz ideológica da psiquiatria democrática é a ideia de que não existe doença. A sociedade é que é culpada porque é burguesa. Quando eu estava exilado em Buenos Aires, nos anos 70, fui conversar com os médicos no hospital onde meu filho Paulo (hoje com 50 anos) havia sido internado depois de um surto. Uma médica veio conversar comigo e disse que o problema não era do meu filho. Era da família e da sociedade. Disse para ela: então me interna.

    ÉPOCA - Paulo estava com você no exílio?
    Gullar
    - Nessa época, sim. Um dia ele teve um surto e sumiu. Foi encontrado em estado totalmente delirante e foi internado. A médica chamou a mim e a minha mulher para conversar. Eu disse: coração adoece, rim adoece sem que a sociedade seja culpada de nada. O cérebro é o único órgão que não adoece por si? A sra. não acha que uma pessoa pode nascer com uma deficiência fisiológica no cérebro? O que está por trás de tudo isso é uma visão equivocada.

    ÉPOCA - Quando seus filhos receberam o diagnóstico de esquizofrenia?
    Gullar -
    Os dois começaram a falar disparates e a se comportar de maneira anormal. Isso se manifestou quando tinham 15 ou 16 anos. A doença foi precipitada pela droga. Era um período que cheirar cocaína, fumar maconha e consumir LSD estavam na moda. Surgiram anormalidades, mas eu não fiz nada. Atribuía o comportamento deles às drogas.
     
    ÉPOCA - Eles falavam sem parar?
    Gullar -
    No começo, diziam: “Meu cérebro está vazio, não tenho mais cérebro, o LSD consumiu meu cérebro”. Coisas ilógicas. Percebi que havia algo errado, mas esperava que as coisas se acomodassem. Eu dava conselhos para que eles parassem de usar drogas. Quando fui de Lima para Buenos Aires (havia a perspectiva de um trabalho lá), um dia Paulo desapareceu. Desceu para a rua e sumiu. Terminou sendo localizado, estava preso. Ele, que nunca havia dirigido antes, pegou um carro que estava parado. Tentou roubar o carro sem saber dirigir. Coisa de pirado mesmo. Só consegui localizá-lo um mês depois. Voltou para casa em estado totalmente delirante. Quebrou a janela toda. Queria sair pela janela do quinto andar. Fui obrigado a chamar o socorro psiquiátrico. Ele começou a tomar os remédios. Um dia fugiu do hospital. Veio aparecer no Brasil dois meses depois.

    ÉPOCA - Foi nessa ocasião que o sr. pediu ajuda ao Vladimir Herzog (jornalista morto pela ditadura em 1975)?
    Gullar -
     Um dia ele fugiu do Rio e foi aparecer em Taboão da Serra, em São Paulo. Um homem o encontrou sentado na lama e na chuva. Levou-o para casa e deu-lhe banho. Paulo deu o meu endereço em Buenos Aires e o homem me escreveu. Quando recebi a carta, liguei para a Revista Visão, onde o Herzog trabalhava, e pedi ajuda. Ele se prontificou a ir imediatamente buscá-lo em Taboão. Quando chegou, Paulo já havia fugido. Foi encontrado por uma freiras, caído na estrada, e foi levado para um convento. Depois a família o encontrou e ele foi internado em uma clínica particular no Rio. Quando voltei do exílio, em 1977, assumi esse problema todo. Descobri que existia o Instituto Bairral, em Itapira, no interior de São Paulo. Parecia uma fazenda, uma estação de repouso. Ele ficou alguns meses nessa clínica particular. Isso não é a família que decide. São os médicos. Quando voltou ao Rio, veio morar com a família. Mudei de Ipanema para Copacabana porque descobri que havia um fornecedor de drogas para ele em Ipanema. Não demorou muito e a mesma coisa começou a acontecer em Copacabana.

    ÉPOCA - O sr. conseguia escrever com eles em casa?
    Gullar -
     Uma pessoa esquizofrênica não está permanentemente em estado de surto. Às vezes fica sozinha no quarto. O problema é quando ocorre o surto. O Paulo passou muitos anos com a família. Passava seis meses internado e voltava para casa. Às vezes passava um ano sem ter nada. Mas não pôde trabalhar nem estudar. Não tinha condição, nem disposição, interesse.

    ÉPOCA - Paulo aceita o tratamento facilmente?
    Gullar -
    Às vezes fingia que tomava o remédio, mas cuspia fora. Leva tempo até o doente aceitar o remédio, entender que ele ajuda. Paulo mora há cinco anos no sítio de um amigo meu em Pernambuco. Não está internado, mas é como se estivesse. Cuida dos cavalos, cria uns gatinhos, pinta quadros. Lá ele toma o remédio sozinho. Quando entra numa derrapada e deixa de tomar o remédio, começam os problemas. Mas hoje ele tem muito mais consciência da doença. Amadureceu. É uma pessoa mais afetuosa.

    ÉPOCA - O sr. tem saudade?
    Gullar -
     Tenho. A gente se fala todo dia. Mas se ele vier para cá e começar a usar droga de novo, tudo vai recomeçar. Ele está controlado porque não tem droga onde vive. Com droga fica excitado, alucinado, agresssivo.

    ÉPOCA - A condição de seus filhos influenciou sua literatura?
    Gullar -
     Tudo influencia na vida, mas eu procuro me colocar diante das coisas com lucidez. Nao me deixou levar por desesperos, por bobagens. Não sou nenhum Super-Homem, mas sempre procurei entender as coisas e encontrar o caminho mais correto. Claro que isso foi um grande sofrimento durante anos e anos. Pode ter se refletido na minha literatura. Mas a minha literatura não é de desespero. Recebo cartas de pessoas que disseram que se salvaram, que tiveram coragem de enfrentar seus problemas lendo meus poemas. Evito pregar o desespero. Muitas vezes estou desesperado, mas jamais transmito isso para as pessoas.

    ÉPOCA - O que lhe desespera?
    Gullar -
     Estar com um filho numa situação dessa é estar num estado de desespero. Estar sendo perseguido pela ditadura também. Viver clandestino durante um ano, sem ver sua mulher, seus filhos, seus amigos, é desespero. Uma pessoa pode fazer desse desespero a matéria de sua literatura. Nunca fiz isso.

    ÉPOCA - O poema Internação, publicado em 1999, é autobiográfico? Aquilo aconteceu entre você e Paulo?
    Gullar -
     É. Meu filho falou sobre o vento no rosto e eu fiz o poema. Aquilo é bonito, não é desespero. Nunca fiz do meu sofrimento individual a matéria da minha poesia. Nunca quis transferir para os outros o meu desespero, o meu amargor. Procuro não ter amargor e enfrentar as coisas. Sei que a vida é inventada. Ela depende de mim. Se eu invento uma vida infernal, ela será infernal. Nao vou ficar sentado à beira da calçada, chorando. Isso não resolve problema algum.

    ÉPOCA - Alguma vez o Paulo foi agressivo?
    Gullar -
     Foi.

    ÉPOCA - Contra o sr.?
    Gullar -
     Não quero falar sobre isso. Chegou a ser agressivo. Mas, passado o momento do surto, ele se arrependeu.

    ÉPOCA - Ele tentou suicídio?
    Gullar -
     Tentou uma vez. Tem um problema de coluna porque se jogou de uma clínica, de um andar baixo. A pessoa precisa ser protegida. Não sabe o que está fazendo. Depois, rindo, me disse: “Pai, você não vai acreditar. Naquele exato momento, pensei que fosse voar”.

    ÉPOCA - Depois dos artigos que escreveu, muita gente lhe procurou?
    Gullar -
     Recebi cartas, convites para participar de congressos. Não é a minha matéria. Falei como um cidadão que tem uma tribuna e pode dizer as coisas. Não tenho a intenção de criar um movimento. Uma mulher escreveu uma carta para a Folha pedindo uma providência contra mim. Que providência ela quer? A minha demissão? Ela é da psiquiatria democrática. Imagine se fosse da psiquiatria ditatorial.
     
        
     
    É né?...........Sei bem o que é isso!
    Adorei, não é hipócrita!!!
    Vanessa....
    May 23

    "Necrológio" Zé Rodrix - msg 10219 - CAT

     
    Mensagem 10219

    "z.rodrix" <z.rodrix@terra.com.br>

    Data: Qua Jun 2, 2004 7:34 pm

    Assunto: Re: [M-Música] . Re: [M-Música] . Re: Paul McCartney - (era:
    Rock in Rio Lisboa...)

    Felipe:
    Em resposta a seu completissimo questionario passo-lhe às mãos minhas
    especificações para passamento e eventual necrologio.
    Há alguns anos, gostaria de ter a causa-mortis preferida de meu pai:
    assassinado aos 98 anos de idade com um tiro dado por um marido ciumento que o
    tivesse pego em pleno ato... mas hoje nao mais. Pode ser de fulminante ataque
    cardiaco, dentro da minha biblioteca, perto o suficiente da familia e dos
    amigos mas afastado o bastante para que, alertados pelos cachorros da casa,
    ja me encontrem morto, com um sorriso nos labios.
    Pode sepultar-me em pleno mar, sob a forma de cinzas, ja que nao poderei
    ser sepultado in totum no jardim da minha casa. Se conseguirem isso, no
    entanto, que nao cobrem entradas para visitação, à moda do irmão da princesa:
    deixem que alem das pessoas os passarinhos e os animais da casa se refestelem
    no lugar, renovando diariamente o eterno ciclo da Natureza.
    Ao enterro devem, atraves de convite formal, comparecer todos que foram
    aos meus lançåmentos de livro: nada mais parecido com um velorio do que isso.
    Peço parcimonia nos efluvios emocionais: já as risadas devem ser francas e sem
    limite. Creio inclusive que prepararei com antecedencia uma fita de piadas
    gravadas para animar o velorio e manter o pessoal na boa. Como dizia o Bozo,
    "sempre rir, sempre rir...."
    La so deixarei a mim mesmo: mesmo os inimigos que comparecerem para ter
    certeza de que estou realmente morto podem voltar para casa em paz. Nao
    pretendo puxar a perna de ninguem à noite e nem assombra-los depois de morto.
    Já os amigos podem contar comigo: havendo vida após a morte, volto para
    avisar, da maneira mais pratica e menos assustadora que me for possivel. A
    cremação deve ser feita depois que todos forem embora cuidar de seus proprios
    afazeres: enfrentar as chamas do forno terrestre ja será um gardne introito
    para a vida eterna.
    Se conseguir, tentarei ser crooner da grande Orquestra de Jazz do
    Inferno, vulgarmente chamada de SATANAZZ ALL-STARS: como ja vou chegar la
    tenente ou capitão, dada a minha imensa taxa de maldades realizadas sobre a
    Terra, creio que nao será dificil. Meu castigo certamente será cantar MPBdQ
    por toda a eternidade, mas mesmo com isso ainda se pode encontrar algum
    prazer, assim na terra como no inferno....é o que veremos a seguir.
    No enterro podem tocar de tudo, menos as musicas que eu tenha feito. Mnha
    morte servirá certamente para que se livrem nao apenas de mim mas tambem de
    minhas obras. Os herdeiros tambem nao merecem ouvi-las, sabendo que nada
    herdarão de minha lavra, porque, sendo eu adepto da politica do VAI TRABALHAR,
    VAGABUNDO, como meu pai fez comigo, ja tomei providencias para que essas
    musicas nao lhes rendam nem um tostão furado.
    Sendo um velorio moderno,
    recomendo musicas de carnaval antigo, as indiscutiveis, claro, com algumas
    discretas serpentinas e confetes jogadas sobre o caixão, fechado,
    naturalmente.
    Morrer num Sabado à tarde, ser enterrado num Domingo antes do almoço, e
    estar completamente esquecido na manhã de Segunda, sem atrapalhar a vida
    profissional de ninguem: eis a perfeição que desejo na minha morte.
    Muito grato.
    beijos
    Z
     
    ( o que está em vermelho...sei bem o que é...meu pai pensava assim! )Sol
    May 14

    Linda D+

     
           
           
    May 03

    1ª comunhão... fé!!!

     

    Talvez eu já tenha comentado em posts anteriores que minha fé ficou muito abalada depois do surto do Rodrigo! Eu comecei a colocar várias questões em pauta e no fundo torcia muito quando alguém se embaralhava e não conseguia me responder! Perguntas ao oculto que até hoje não tenho respostas e pelo que sei...nunca as terei! Mas... o tempo foi passando... e passou!!! É verdade quando dizem que o tempo pode resolver muitas coisas e até curar... hoje sei! Morando bem do lado do templo de Tupyara, todos os dias peço para me ajudar... iluminar meu caminho, e faço o que nunca fiz, agradeço pelo o que tenho, mesmo que seja ter algo muito conturbado...sabe por que? Porque consegui transpor isso... transpor meu dia-a-dia tão estressante. Esta semana Rodrigo “ ganhou “ mais um amigo... acredite, ele fala com os dedos do pé!!! É, eu sei, é complicado! Se ele não tivesse tratamento, tudo bem... mas toma os medicamentos e faço o que está ao meu alcance, e ... ele fala com os pés! Aí, vou para a minha terapia e falo para a minha “guru da saúde” o quanto fico triste com esta visão! E falo das minhas questões do futuro... se eu morrer, o que será dele? Gente, é sinistro!!! Com tudo isso, eu consigo administrar uma obra conturbada, em uma cobertura duplex que acharam que eu cheguei para dobrar a todos.....quando eu cheguei apenas para  tornar a vida do meu filho mais confortável, que estou tentando de tudo para não interna-lo! As pessoas criam perfis, e ... não é nada disso! É lógico que não vou escrever na minha testa que tenho um filho esquizofrênico que conversa com os pés...mas as pessoas julgam! Julgam pelo que não vira e pelo que acham ter visto!!! Cuido de todo o caminho que minha filha “ normal “ deve ter! Cuido do meu casamento...”acreditem, eu vou casar” e cuido de apagar cuidadosamente do meu passado!!!...

    Na comunhão da minha filha, vejo aquela missa lida do padre Ricardo e até confesso para comungar na comunhão dela.

    Redescubro a fé. Fé esta que estava guardada lá no fundo esperando meu dia-a-dia para dar seu ar da graça......e me fazer acreditar que pode sim, ainda existir cura para os males ! Este post é para agradecer ao padre Ricardo,....o passado pode mudar muitas coisas e que talvez, só o sofrimento para que vc descubra isso ( Em busca de sentido – Viktor E. Frankl – Ed. Vozes )!!! Hoje, eu acredito que minha fé está vindo e que... algumas coisas m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s- ainda estão por vir!!! Obrigada ao meu amor ( este já falei em posts anteriores... a Helder, meu único e grande amor )! Mesmo sendo namoradeira, ele e somente ele ficou. Ficar SEMPRE ao meu lado!...a S. Jorge e claro minha terapeuta Maria José ( ela deveria estar em primeiro, pois por causa dela sei identificar os outros...mas ciúmes né? )... obrigada a toda a galera que esteve comigo estes anos... obrigada mesmo!!!! Vanessa Klein... ( em breve Alves Machado – hehehehehe ).

     

    Ahhhhhhhhhhhhhh agradeço a Deus e alunos e amigos que acompanham meu dia-a-dia e que sei, torcem muito por mim!!!

     


    April 10

    Surto......parabéns Bruno Gagliasso!!!

     

    Fiquei muito emocionada ( chorei que nem criança ) quando vi o surto do Tarso....sabemos aqui em casa o que é isso. Malditas vozes! Quando o Rodrigo surtou a 1ª vez foi exatamente assim....e ao fim ele me estrangulou quando os bombeiros chegaram com cordas....meu pescoço era todo arranhado e vermelho. Rodrigo quis me matar e depois se ferir....tudo presenciado pelos bombeiros que tentaram amarrá-lo sem machuca-lo, essa é a vida real do esquizofrênico, espero que a novela seja realmente cruel ao narrar.....pois a esquizofrenia ( dependendo do grau da doença e da cronificação ) não é conto de fadas! Se é para falar sobre o assunto, não vamos florear! Né?

    Vanessa.

     

     

    March 20

    Lindas palavras...Adorei Cora!!!

    Caso Sean : Assim é se lhe parece - Cora Ronai ( jornal O Globo, 10-03-09 )

    Tenho acompanhado, primeiro pela internet e agora por todos os cantos, a história do Sean, o garoto que vem sendo disputado pelo pai americano e pela família brasileira. E cheguei, finalmente, à minha conclusão definitiva: um bom juiz de vara de família é criatura que, ao morrer, merece ir direto para o céu, sem escala, com todas as mordomias da Primeira Classe! Uma coisa é discutir o caso na mesa de um bar, nas caixas de comentários dos blogs ou mesmo aqui nesta crônica, opinião amplificada porque sai no jornal mas, ao fim e ao cabo, só isso, uma opinião. Outra, bem diferente, é ter de tomar a decisão real que vai afetar, de forma dramática, a vida dos envolvidos. Ouve-se um lado, e os fatos são incontestáveis; ouve-se o outro, e é claro que tem toda a razão; ouve-se um terceiro e é por aí mesmo; e assim sucessivamente. Pirandello perde. 

    Como quase todo mundo, acho que o ideal para o garoto seria que o pai americano e a família brasileira entrassem em acordo, e que ele pudesse transitar livremente de um lado para outro, de um país para outro. Ao que tudo indica, Sean não corre maiores riscos nem nos Estados Unidos, nem aqui: afinal, se a briga está acontecendo é, em tese, por excesso, e não falta, de amor. 

    De qualquer forma, antes de ir adiante, aviso: não sou nada imparcial em relação ao caso. Ao contrário de quase todo mundo, pelo menos nas campanhas histéricas que vejo na internet, torço, e torço muito, para que o menino possa continuar no Brasil. Aqui estão as referências afetivas que lhe restaram da mãe; além disso, entre a família nuclear (pai, mãe, filhos) e a grande família (pai, mãe e filhos, mais tios, primos, avós e quem mais houver) sou, sempre, por esta. Tenho uma visão latina da vida: quanto mais gente houver em torno de uma criança, sobretudo de uma criança órfã, melhor. Vocês conhecem o provérbio africano, não é? "É preciso uma aldeia para fazer um homem.” Pois. Acredito nele.

    Acho que seria uma barbaridade arrancar do Brasil, sem mais nem menos, um menino que viveu aqui a maior parte da vida, e a sua formação essencial. E acho que talvez tenha sido por isso que, desde o começo, fiquei com um pé atrás em relação ao pai, que logo após a morte da ex-mulher já estava aqui para levar a criança embora, depois de passar anos sem vê-la. Acrescentar ao trauma da perda da mãe a perda da família, da irmã recém-nascida, dos amigos, da escola e da cidade não me pareceu ato de quem tivesse o bem-estar do menino em mente. 

    Também não sou imparcial porque sou avó, e porque não consigo deixar de me solidarizar com uma mulher que, depois de passar pela dor de perder a filha tão jovem, e de um jeito tão estúpido, agora é ameaçada de perder o neto para um homem que lhe é praticamente um desconhecido. Eu também lutaria pelo meu neto, ora se não.

    Tirando isso, há certas coisas que me desagradam profundamente nessa história, a começar pela forma midiática com que o pai passou a se manifestar e a expor o filho ao público, uma vez desaparecida a mulher que poderia contradizê-lo. A essa altura, aliás, uma das principais acusações que lhe faz o lado brasileiro, a de ser um desempregado, já não faz qualquer sentido. Ele virou pai profissional e, quer recupere Sean quer não, certamente escreverá um livro sobre a sua luta, e venderá os direitos para o cinema; dará palestras motivacionais muito bem pagas e, como é bonito, receberá convites para fazer anúncios de produtos diversos. Desconfio, ainda, do caráter panfletário com que o caso vem sendo conduzido nos Estados Unidos, dos políticos que estão aproveitando a chance para fazer média com o eleitorado, e da evidente satisfação com que gringos que nada têm a ver com o caso correm, feito hienas, para os seus quinze minutos de fama.

    Mas o que me deixa mesmo indignada é a covardia e a falta de respeito dos ataques feitos à mãe, que morreu e não pode se defender. O que é isso?! Em que mundo estamos?! Fico revoltada com a falsidade dos que se declaram fervorosos defensores da lei, da moral e dos bons costumes, e que não hesitam em julgar e condenar essa moça que, certamente, agiu motivada por puro desespero.

    Não conheci a Bruna, mas não acredito nem um pouco no conto de fadas descrito pelo pai. O que eu sei, com certeza, é que uma mulher feliz não larga o marido, mesmo que esteja morando numa cabana sem aquecimento na Sibéria, e que esteja se matando para sustentar a família. Quem acredita nisso consegue acreditar em qualquer coisa, até nas boas intenções de um pai que vem sete vezes ao Brasil e que não vê o filho.

    H-e-l-l-o-o-u?! Se alguém levasse um dos meus filhos para outro país e eu conseguisse chegar até aquele país, duvido, mas duvido muito, que houvesse força capaz de me impedir de vê-lo. Eu acamparia em frente à casa, me deitaria no caminho do ônibus escolar, escalaria o prédio – em suma, faria tal banzé que, mais hora menos hora, alguém teria de tomar conhecimento da coisa. Encontrem os seguranças que a família contratou para amarrar e amordaçar o pai, e aí vamos descobrir se, de fato, alguém o impediu de fazer o que quer que fosse.

    Por outro lado, chego a achar comovente a luta de João Paulo Lins e Silva. Conheço muitos pais biológicos que não fariam metade do que está fazendo para ficar com Sean. Seria tão mais simples dar de ombros e entregá-lo ao pai biológico! Em vez disso, ele está agüentando o peso de ser transformado em vilão e de ver o nome da sua família no centro de uma campanha sistemática de demolição. É um alvo fácil, o rapaz. É advogado, é rico, é conhecido: pau nele! 

    Mas eu me pergunto: se ele se chamasse João das Couves e fosse marceneiro, professor ou entomologista, de que lado estaria a opinião pública? 

    Vocês decidem.

    (O Globo, Segundo Caderno, 19.3.2009)

     
    March 06

    Ameaças de morte. Aonde isso vai parar?

     

     
    Reportagem retirada do Jornal OGlobo.com do dia 06 de março de 2009.
     

     

    Vanessa Klein escreveu:

    É impressionante como um caso familiar se transformou em uma manifestação fanática ( e política ).....como tem pessoas doentes. Sei bem disso porque minha mãe que suicidou-se e meu filho que é esquizofrênico ver esta movimentação, ver as agressões verbais, insultos etc... lido com isso dia-a-dia, comprova como tem pessoas neste mundo com problemas mentais. O link foi tirado ( com as camisas, bonés etc....) porque o pai provavelmente retirou do site as fotos com as imagens do Sean, mas a família retirou provas necessárias e como vivemos em uma democracia limpa....busco o lado que acredito ser o correto. Se estou errada ou não, me dou o direito de poder escolher!!! E se errar o problema é unicamente meu, da mesma forma que sou a favor no meu Blog da família Bianchi ( da qual convivo desde a época da incrível Dina Bianchi ), existem sites contra...é a liberdade! Não perco o meu tempo em visitar os sites com outras opiniões porque já tenho a minha formada e de forma alguma vou ser arrogante e ridicularizar com o outro! Foram capazes até de ridicularizar minha cirurgia bariátrica, que cuida de algo tão sério como a obesidade mórbida.....então é complicado manter uma conversa! Acabou, não me manifesto mais, pois não vou dar corda para pessoas com problemas....já tenho meu doente para cuidar!!!