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    December 29

    A religião!!!!

      A religião é uma questão de circunstancia

    "Dialética era, na Grécia antiga, arte do diálogo. Aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão.

    Aristóteles considerava Zênon o fundador da dialética. Outros consideram Sócrates, pois em uma discussão sobre a função da filosofia (que estava sendo caracterizada como a uma atividade inútil), Sócrates desafiou os generais Lachés e Nícias a definir o que era bravura e o político Caliclés a definir o que era a política e a justiça. Isso com o intuito de demonstrar a eles que só a filosofia (por meio da dialética) podia lhes proporcionar instrumentos indispensáveis para entenderem a essência daquilo que faziam, das atividades profissionais a que se dedicavam.

    Na acepção moderna, entretanto, dialética significa outra coisa: é o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendemos a realidade como essencialmente contraditórias em permanente transformação.

    No sentido moderno da palavra, o pensador dialético mais radical da Grécia antiga foi, sem dúvida, Heráclito de Efeso (aproximadamente 540-480 a.C). Para ele, tudo está em constante mudança, o conflito é o pai e o rei de todas as coisas. Lê-se também que a vida ou morte, sono ou vigília, que juventude ou velhice são realidades que se transformam em umas nas outras. Seu fragmento número 91, em especial, tornou-se famoso: nele se lê: Üm homem não toma banho duas vezes no mesmo rio". Isto porque da segunda vez, não será o mesmo homem e nem estará no mesmo rio (ambos terão mudado).

    Os gregos acharam essa concepção muito abstrata, muito unilateral chamaram o filósofo de "o Obscuro". Os gregos preferiram a resposta que de outro pensador da época: Parmênides. Parmênides ensinava que a essência profunda do ser era imutável e dizia que o movimento (a mudança) era um fenômeno de superfície. Essa linha de pensamento - que podemos chamar de metafísica - acabou prevalecendo sobre a dialética de Heráclito.

    A concepção metafísica prevaleceu, ao longo da história, porque correspondia nas sociedades divididas em classes, aos interesses das classes dominantes, sempre preocupadas em organizar duradouramente o que já está funcionando, sempre interessadas em amarrar bem tanto os valores e conceitos como as instituições existentes.

    A concepção dialética foi reprimida historicamente: foi empurrada para posições secundárias e condenada a exercer uma influência limitada. Apesar disso, a dialética não desapareceu. Para sobreviver, precisou renunciar às suas expressões mais drásticas, precisou conciliar-se com a metafísica. Aristóteles, por exemplo, introduziu princípios dialéticos em explicações dominadas pelo modo de pensar metafísico. Embora menos radical, ele observou que nós damos o mesmo nome de movimento a processos muito diferentes, que vão desde o mero deslocamento mecânico de um curto espaço, ao mero aumento quantitativo de alguma coisa, até a modificação qualitativa de um ser ou o nascimento de um ser novo.

    Segundo Aristóteles, todas as coisas possuem determinadas potencialidades; os movimentos das coisas são potencialidades que estão se atualizando, isto é, são possibilidades que estão se transformando em realidade efetiva. Com seus conceitos de ato e potência, ele conseguiu impedir que o movimento fosse considerado apenas uma ilusão desprezível, um aspecto superficial da realidade. Graças a Aristóteles, os filósofos não abandonaram completamente estudo do lado dinâmico e imutável do real.

    A dialética ficou sufocada até o Renascimento. Seu caráter instável, dinâmico e contraditório da condição humana foi corajosamente reconhecido por um pensador místico e conservador como Pascal (1623 - 1654). Outro filósofo, o italiano Giambattista Vico (1680 - 1744), também ajudou a dialética a se fortalecer. Ele achava que o homem não podia conhecer a natureza, que tinha sido feita por Deus e só como Deus podia ser efetivamente conhecida; mais sustentava que o homem podia conhecer a sua própria história, já que a realidade histórica é obra humana, é criada por nós. Esta formulação constituiu um poderoso estímulo a um método adequado e correto da compreensão da realidade histórica, ou seja, a elaboração de um método dialético."

    Resumo feito por André Luiz Clinio
    Extraído do livro O que é Dialética, de Leandro Konder